sábado, 29 de julho de 2017

AS AVENTURAS DA BARATINHA LULU NA CASA DA DONA JUDITE E AS AVENTURAS DE DONA JUDITE NA CASA DE DEUS


Autor: Porto de Carvalho
Escrito em 25/7/2017

A baratinha Lulu mora nos subterrâneos da casa da dona Judite.

Dona Judite não sabe que divide a casa com a baratinha Lulu. Dona Judite dorme cedo.

À noite, a baratinha Lulu sai para jantar pela casa de dona Judite. Ela come papel, couro, cola, cocô, absorvente usado, arroz, feijão, bife e batata frita, macarrão, pele, calo, unhas, gente morta, resto de comida na boca das crianças. Ama tomar cerveja, mas detesta pepino.

Um dia, a baratinha Lulu estava dentro da lixeira da dona Judite comendo muxiba. Aí, o escorpião Geofrey viu aquele bundão da baratinha Lulu e enfiou o ferrão nela, que morreu, mas não de prazer, de veneno.

O seu Clovis, marido da dona Judite, acompanhado dela, acendeu a luz e viu o escorpião Geofrey comendo a baratinha Lulu. Seu Clovis deu um grito (ele odeia escorpiões.), dona Judite deu outro grito (ela odeia baratas.) e o escorpião Geofrey picou a mula.

No outro dia, seu Clovis colocou a galinha Piradinha dentro de casa para ela devorar o Geofrey (eles têm galinheiro.). A galinha cagou a casa toda e não se sabe se achou o escorpião. Ela o achou e o comeu, mas, como seu Clovis não sabia disso e ficou bravo com a sujeira, ele matou a galinha Piradinha e pediu para dona Judite fazer uma galinhada (ele adora galinhada.).

Dona Judite fez a galinhada. Seu Clovis comeu a galinhada e morreu de infarto fulminante sobre a mesa. Dona Judite chorou, mas pouco, e, em alguns dias, começou a namorar o vizinho, Carlinhos. Antes disso, foi cagar a galinha Pintadinha, e as filhas da baratinha Lulu acabaram comendo a penosa em forma de cocô.

Carlinhos não tinha medo de nada: nem de barata, nem de escorpião, nem de canivete. Por isso, morreu no bar. Dona Judite foi ao enterro dele também.

Debaixo da terra, bactérias, fungos e vermes comeram seu Clovis e Carlinhos. Antes disso, no necrotério, amigas da Baratinha Lulu, tinham comido algo de mãos, pés, boca, cílios e olhos dos dois mortos.

Dona Judite se lembrou do marido e do namorado e chorou, pouco, mas chorou. Enquanto o fazia devorava uma barra de chocolate que tinha acabado de comprar. Nela, havia um pouco de baratas trituradas. Quando está triste dona Judite gosta de comer chocolate (e barata também, mas nem sabe.). Dona Judite tinha que ir à luta novamente: amar.

Mas, antes disso, um míssil teleguiado carregado de ogivas nucleares vindo do norte atingiu em cheio a casa da dona Judite. Não sobrou quase nada vivo, nem as baratas.

Deus não chorou por ninguém, não se importou, pois, se é o que há de mais supremo, como poderia se incomodar com a vida e a morte, a dor?

Nenhum comentário:

Postar um comentário