sábado, 29 de julho de 2017

CAVALO


Autor: Porto de Carvalho
Escrito em 13/7/2017

Hoje, acordei com o barulho da mijada do meu vizinho de parede. Os homens mijam como cavalos. As mulheres fazem xixi. Os homens peidam alto. As mulheres peidam baixo, mas não flatulam. Flatular é uma palavra muito feia para mulher, é como mijar ou cagar.

Será que, se eu fosse importante, não morasse numa quitinete, mas num tríplex, ainda sim ouviria a mijada do meu vizinho?

O ruim de morar em prédios de apartamentos é ter que pagar muitas vezes um condomínio arrombador. É como ser estuprado por um cavalo, a não ser que se possa morar num tríplex. Quem mora num tríplex pode pagar – e às vezes cobrar – qualquer taxa.

O meu sonho era ter um cartão de crédito mágico, que, a cada compra que fizesse, pudesse pagar a minha conta, furtando de maneira randômica um centavo de real das contas de todas as pessoas possuidoras de contas bancárias, sem repetir a mesma conta bancária num intervalo grande de tempo. Ninguém ia perceber, e os cubanos, que geralmente não têm conta bancária, não seriam afetados. Eu até emprestaria o cartão para vocês.  

Hoje em dia, do apartamento do meu vizinho, só escuto a sua mijada. Mas, antes, quando ele namorava (acho que era namoro.), ouvia gemidos de mulher. Ela está fingindo. Não é possível. Muitas mulheres fazem cada coisa para agradar os homens... e eles ingratos revirando os olhinhos em dois minutos. Ela gemia alto, mas, tenho certeza, fazia xixi (não mijava) e peidava (não flatulava) baixo.

Eu a imaginava como o brasileiro (a maioria) gosta: morena, cabelo comprido, bumbum grande com um pouco de celulite, cintura fina e seios pequenos. Mesmo assim, nunca bati punheta pensando nela. Na época, tinha muitas mulheres (tinha!? Não sei se mulher se tem...). Hoje também. Não a imaginava, por exemplo, asiática. Mas isso tem a ver simplesmente com o fato de ter nascido no Brasil.

Uma vez namorei, por duas semanas, uma sansei (ou seria nissei? Não me lembro.). Só sei que ela era, biologicamente falando, 100% japonesa, mas, culturalmente falando, 80% brasileira. Ela adorava dançar forró e tinha dificuldade para chegar ao orgasmo (e não era só comigo). Um dia falei para ela: dançar é manifestar-se sexualmente. O forró é uma dança muito sexual (não é à toa que nasceu no Brasil. Freud, você tinha que ter conhecido este país!). Por isso, você sai para dançar, para se libertar, manifestar-se sexualmente. E ela concordou, ressaltando os movimentos da dança, e me explicou sobre o segundo chakra, coisa de orientais, cheio de sabedorias. Ela era (ou é) muito chata: queria sair toda hora.

Vocês sabem, né? Gosto da natureza. Por isso, tenho, de pelúcia, uma mamãe chimpanzé com seu filhinho. A macaca é enorme. Aí, a japonesa olhava para a pelúcia gigante e me perguntava (perguntou umas três vezes.): “você transa com este macaco?” Macaco, no masculino mesmo. É brincadeira... rs... aí, eu levava na esportiva e falava: transo, olha embaixo do bicho, há até um buraco. Japoneses gostam de punheta, siririca e robôs. Um dia, nascerão do Japão robôs amantes perfeitos, com fluídos corporais e com todos os tipos de cheiro de sexo.

No Japão, as pessoas estão há décadas trocando o mundo real pelo virtual. É triste... é comum japoneses irem a profissionais japonesas que limpam ouvidos para ter certo prazer, ínfimo para nós, o máximo para eles. É assim: eles deitam a cabeça no colo delas, e elas limpam os buracos auditivos deles, e eles pagam por isso. No Brasil, pagamos por muito mais e ainda saímos insatisfeitos.

Hoje, do apartamento do meu vizinho, não escuto barulho de mulher. Escuto um barulho triste de mijada de homem, tão bruto, tão pouco feminino, parece um cavalo.

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