sábado, 29 de julho de 2017

NATAL ENCANTADO NO RECANTO DAS EMAS


Autor: Porto de Carvalho
Escrito em 15/7/2017

Namorava uma mocinha linda e sem graça: branquinha, magrinha, olhos verdes. Dava para ser modela fotográfica. Tadinha... sozinha neste lugar como eu (sem parentes), convidou-me para passarmos o Natal na casa da mãe adotiva que arrumou onde trabalhava.  Fomos.

Você pega uma dessas vias do DF, todas, em que é impossível pedir informação, em que nas paradas de ônibus pessoas tristes não conversam umas com as outras, e vai direto toda vida.

Pronto! Chegamos! O recanto é das emas, mas não se vê uma das aves. Temos que parar urgentemente com essa mania de substituir em toda natureza bichos por homens. Vocês repararam que mais gente, mais estudantes, mais professores, mais livros, mais informação, mais ciência, mais religião não melhoram o mundo?

Fomos muito bem recepcionados. Um dos convidados do local, com um sorriso maligno no rosto, ofereceu-me uma latinha de Skol. Fingi que aceitei a dádiva. Assim, podia estudá-lo melhor. Depois, minha namoradinha disse-me que o rapaz tinha muito interesse nela. Desconfiei... família... às vezes, sua namorada ou esposa apresenta para você o primo especial dela, e você nem sabe o quão especial ele é.

O Natal estava animado e com muitos comes e bebes. Na TV, passava o comercial da Coca-Cola. Sobre a mesa, Coca-Cola. Mas pela chaminé nada de Papai Noel. Ih... nem chaminé há. Só pinheiros de mentira.

Conheci o bom filho da dona da casa. Ele estudava Filosofia na universidade, um dos melhores cursos que há. Tinha acabado de concluir o primeiro período do curso.
O futuro filósofo, antes de atacarmos a mesa, resolveu convocar todos para orar. Pensei comigo: que legal! Um filósofo cristão! Ainda há (sempre haverá), filósofos cristãos. Mas deve sê-lo ainda porque está no início no curso.

Juntamo-nos na espaçosa cozinha de mãos dadas e em círculo. No centro da roda, havia um pinscher. Pinschers são feios. Parecem uma mistura de cachorro com rato ou morcego. Tive um vira-lata com um quê de pinscher que chamei de Morceguito. Donos de pinschers geralmente são nervosinhos ou simplesmente magrelos.

Aí, o rapaz começou a agradecer a Deus e a Jesus por tudo. Estava lindo, muito lindo. Só que, de repente, o cãozinho da família grudou na perna de um dos netinhos da anfitriã e começou a fazer cachorrinho no menino. O menino tinha, no máximo, uns seis anos de idade. Ninguém se aguentou e explodiu em risos, inclusive o menino. E o filósofo puxando o cachorro para um lado, e a vovó puxando o menino para o outro. Ufá! Soltou! A vovó deu um tapa no bumbum do cachorro e ele saiu para lá. Onde já se viu isso, gente? Um cachorro pedófilo, incestuoso (para nós, pois entre os cães não se inventou ainda o incesto.) e adepto de relações sexuais com membros da espécie humana. A oração continuou muito mais natural.

Eu e ninguém na casa nos preocupamos com o ocorrido. Sabíamos que os cães são filhos de Deus. Por isso, fomos comer. A única coisa que me preocupou um pouco, só um pouquinho, foi o olhar maligno daquele que me dadivou. 

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